Descubra como a "síndrome do conhecimento fragmentado" e o pensamento mágico sabotam o aprendizado real. Uma análise sobre a vaidade intelectual e a importância de aceitar nossas limitações para atingir objetivos concretos.
O estudioso que compreende a realidade sabe que o aprendizado, assim como a evolução, é um processo lento: uma língua de cada vez, um assunto de cada vez. Mas aquele que vive de aparências não suporta o tédio da profundidade. Como observou com precisão cirúrgica Umberto Eco:
“Os perdedores, assim como os autodidatas, sempre têm conhecimentos mais vastos que os vencedores, e quem quiser vencer deverá saber uma única coisa e não perder tempo sabendo todas, o prazer da erudição é reservado aos perdedores. Quanto mais coisas uma pessoa sabe, menos coisas deram certo para ela.”É uma sentença brutal, mas necessária. Ela ressoa sempre que confronto esse tipo de psique fragmentada. Existe uma classe de indivíduos presos a um comportamento cíclico, uma inquietude que invade meu sossego ocasionalmente. Em um dia, proclamam o estudo do japonês; na semana seguinte, buscam refúgio no violão, apenas para abandoná-lo pelo piano dias depois. Nunca há tempo — ou disciplina — para o domínio real. Eles se contentam com o ruído de saber um pouco de tudo. Há tempos rotulo isso de "síndrome do conhecimento fragmentado". Pode parecer apenas um termo jocoso para descrever uma falha comportamental, mas reflete uma incapacidade moderna de estar no presente.
Não sou psiquiatra, e minhas análises carecem de rigor clínico, mas a observação empírica é inegável. Estou cercado por essas figuras. Pessoas que clamam por auxílio para concluir estudos, ingressar na academia, publicar livros ou criar arte. Invariavelmente, quando apresento o trajeto árduo e desprovido de glamour necessário para chegar lá, o sujeito se dispersa. Inventa desculpas, fabrica novos interesses e, para proteger seu ego frágil, classifica-me como intolerante ou limitado.
Seria reconfortante se isso fosse a patologia de um único indivíduo, ou de um pequeno grupo. Mas trata-se de um fenômeno crescente. Curiosamente, as raras criaturas que aceitaram a realidade de minhas palavras atingiram seus fins. Não porque eu seja um guru — a própria ideia de "guru" é uma invenção humana repugnante, uma tentativa de divinizar a sabedoria mundana. Sou absurdamente limitado e plenamente consciente de minha natureza animal. Se fui útil a alguém, foi apenas por compartilhar a crueza da experiência. O que serve para um pode não servir para outro, é fato, mas o vislumbre dos obstáculos no caminho é universal. Mesmo que o sucesso alheio não seja replicável, saber quais pedras evitar é uma vantagem evolutiva.
No entanto, a maioria prefere o conforto do "pensamento mágico". Acreditam que o otimismo cego, ou a ideia infantil de que o universo conspira a seu favor, resolverá problemas que exigem ação mecânica e foco. Por mim, que continuem em sua ilusão. Mas faço um apelo, não como mestre, mas como alguém que preza o silêncio: deixem-me em paz. Não busquem conselhos se não suportam a realidade; não consumam meu tempo finito se o interesse é fingido. Sigam suas vidas de distração constante, e eu seguirei a minha. Assim, todos manteremos a ficção de que estamos felizes e resolvidos.

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