A Jornada de um Acadêmico Negro: Reflexões sobre Literatura Negra no Brasil e no Japão


Henrique Marques Samyn, um professor negro da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, compartilha suas experiências e reflexões sobre a literatura negra brasileira em um artigo para a revista piauí. Ele descreve sua jornada desde a infância na periferia do Rio de Janeiro até se tornar um acadêmico respeitado, ministrando seminários no Japão.

Samyn foi convidado para ministrar um seminário sobre literatura negra brasileira na Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio. Inicialmente, ele estava apreensivo sobre como seria recebido por colegas japoneses, dada a marginalização que a literatura negra frequentemente enfrenta no Brasil. No entanto, ele ficou agradavelmente surpreso ao descobrir que os participantes do seminário, pesquisadores que estudam e entendem a língua portuguesa, não apenas conheciam os nomes dos escritores negros brasileiros, mas também haviam lido suas obras e as consideravam textos literários importantes.

Essa experiência levou Samyn a refletir sobre o contraste entre a recepção de seu trabalho no Japão e no Brasil. Ele observa que, embora existam espaços acolhedores para a literatura negra no Brasil, o mundo acadêmico e cultural brasileiro ainda é extremamente hostil devido ao racismo. Esse racismo se manifesta de maneiras explícitas e tácitas, desde a concessão de bolsas e a publicação de textos acadêmicos até o ingresso de pessoas negras na pós-graduação.

Samyn enfatiza que, embora tenha sido bem recebido no Japão, isso não significa que o racismo não exista na sociedade japonesa. No entanto, ele argumenta que, como acadêmico brasileiro falando para o público japonês, ele foi recebido em Tóquio como um pesquisador legítimo que estuda obras literárias negras esteticamente relevantes. Isso contrasta fortemente com as tentativas de desqualificação que ele frequentemente enfrenta nas universidades brasileiras.

Ao retornar ao Brasil, Samyn compartilhou suas experiências com colegas de literatura e academia. Ele expressou satisfação ao perceber que a literatura negra brasileira está alcançando outros territórios, onde há condições favoráveis de recepção. Ele atribui isso ao trabalho árduo de pessoas que têm construído “aquilombamentos” e “ferrovias subterrâneas” para superar os mecanismos opressores presentes na sociedade brasileira.

Samyn reflete sobre sua jornada pessoal, desde sua infância na Praça Seca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, até sua posição atual como acadêmico. Ele destaca que, apesar dos desafios, “nós conseguimos – e (nós por nós!) continuaremos”. Essas palavras servem como um lembrete poderoso da resiliência e da determinação necessárias para superar as barreiras raciais e sociais, e como um testemunho do impacto significativo que a literatura negra brasileira está tendo em todo o mundo.

Para uma visão mais aprofundada das experiências e reflexões de Samyn, recomendo a leitura do artigo completo na revista piauí. É uma leitura essencial para qualquer pessoa interessada em literatura negra brasileira, estudos raciais e a interseção desses temas com a academia.

A literatura negra brasileira é rica e diversificada, abrangendo uma variedade de gêneros e estilos. Aqui estão algumas das principais obras e autores:

  1. Maria Firmina dos Reis: Uma das primeiras romancistas do Brasil, Maria Firmina dos Reis era negra e seu livro “Úrsula”, publicado em 1859, é considerado um marco na literatura negra brasileira.
  2. Luiz Gama: Filho de Luísa Mahin, grande libertadora de escravos, Luiz Gama foi jornalista e poeta. Ele é conhecido por suas críticas à estrutura social e racial da sociedade brasileira.
  3. Machado de Assis e Lima Barreto: Ambos são grandes narradores do Brasil que criticaram a estrutura social e racial da sociedade brasileira.
  4. Carolina Maria de Jesus: Autora do livro “Quarto de Despejo”, Carolina Maria de Jesus é uma das principais autoras da literatura negra brasileira.
  5. Solano Trindade: Poeta, folclorista, ator e pintor brasileiro, Solano Trindade é conhecido por suas obras que retratam a vida e a cultura afro-brasileira.
  6. Conceição Evaristo: Conhecida como a Dama da literatura negra, Conceição Evaristo é uma das autoras mais influentes da literatura negra brasileira atual.
  7. Edimilson de Almeida Pereira: Autor de dezenas de livros de poesias, romances e também ensaios, Edimilson é dono de uma escrita única e poderosa.

Estas são apenas algumas das muitas vozes importantes na literatura negra brasileira. Cada uma dessas obras oferece uma perspectiva única e valiosa sobre a experiência negra no Brasil.

José Fagner Alves Santos

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