Rebeca tem 26 anos e carrega consigo um tipo de disciplina silenciosa, dessas que não se anunciam, mas organizam uma vida inteira. Nasceu e cresceu na periferia, menina preta, educada desde cedo a entender que o estudo não era uma escolha eventual, e sim um hábito diário, quase doméstico, como arrumar a cama ou preparar o café.
Em casa, a educação não era um discurso abstrato. O pai, Samio Cassio, formado em História, e a mãe, Verônica Dias Ramos, pedagoga, transformaram o conhecimento em método de sobrevivência. Depois de muita luta, fizeram da escola uma espécie de trincheira íntima, onde aprender significava resistir. Ambos negros, ensinaram sem solenidade que dignidade se constrói no tempo longo, com esforço contínuo.
Rebeca passou toda a vida em escolas públicas, avançando ano após ano com a convicção tranquila de quem sabe que estudar é um caminho — não para escapar de onde veio, mas para ocupar espaços que sempre lhe pertenceram. Cresceu entendendo que podia sonhar sem pedir licença e que seu lugar não era imposto, era escolhido.
Quando entrou na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, a conquista não foi individual. Era o resultado acumulado de noites de estudo, do apoio familiar e de uma fé prática, sem alarde. Formar-se em Fisioterapia lhe rendeu um diploma, mas também confirmou uma trajetória feita de persistência e coragem, construída passo a passo, com respeito aos que vieram antes e atenção aos que ainda virão. Uma história discreta, mas sólida — como costumam ser as que realmente importam.Parabéns pela conquista, pelo caminho percorrido com firmeza e pela elegância silenciosa de quem avança sem esquecer de onde veio. Que os próximos passos sejam tão consistentes quanto os primeiros.
You'll Love These
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Postar um comentário